@caiubi

29

Nov

Facebook deu F5 nos “6 graus de separação”

A seguinte notícia me fez lembrar de meu TCC: ”Menos de cinco pessoas separam você de Mark Zuckerberg no Facebook”.

Lá em 2008, enquanto desenvolvia minha conclusão de curso, muito me aprofundei neste estudo de Sir Stanley Milgram: “The Small World Problem” (por isso a manchete no Wired: ”Facebook Study: It’s a Small(er) World After All”).

Decidi transcrever o (big) trecho que explica a fundo a teoria de Milgram para depois analisarmos o tal feito de Zuckerberg:

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The Small World Problem, que ficou popular com o cientista Stanley Milgram, quando em 1967 demonstrou que cada um de nós está há apenas 6 graus de separação de outro grupo de pessoas. Milgram chegou a este número através de uma experiência realizada com 296 pessoas que viviam em Boston e Omaha (Nebraska), nos EUA.

Para cada uma das pessoas Milgram enviou uma correspondência com instruções para que a mesma chegasse a uma pessoa-alvo, originária de Sharon, Massachussets, mas que trabalhava em Boston. As pessoas não poderiam enviar a correspondência diretamente ao seu destinatário, mas deveriam buscar amigos, contatos e pessoas que conheciam pessoalmente e que elas pudessem confiar a entrega da correspondência ao seu destinatário final.

Cada pessoa deveria escrever o seu nome na correspondência de modo que depois fosse possível monitorar o caminho percorrido até o seu destino final. O método criado por Milgram ficou conhecido como Small World.

Ao final da experiência, o cientista encontrou o número médio de 6 intermediários entre os participantes da experiência. Ou seja, a correspondência, em média, passou por outros 6 atravessadores antes de chegar ao seu destinatário final. A partir deste trabalho foi criada a expressão “Six Degrees of Separation” (ou em português, Seis Graus de Separação).

Porém, esta expressão não foi criada por Stanley Milgram, e sim por John Guare, em 1991, na peça de mesmo nome, que esteve em cartaz na Broadway. A peça depois viraria filme (com Will Smith, aliás), em 1993, com o mesmo nome.

Os seis graus de separação demonstram que vivemos no mundo realmente pequeno, qualquer pessoa está conectada a qualquer outra pessoa no mundo em até seis graus, ou seja, nossas redes sociais podem ser muito maiores do que efetivamente sabemos.

Por exemplo: se tiver dez amigos e estes dez amigos tiverem cada um 10 amigos, a minha rede no primeiro grau é de apenas dez amigos, mas no segundo grau será de 10 x 10 amigos, ou seja, em apenas dois graus de separação estou ligado a 100 pessoas. Em seis graus de separação estou ligado a 10 elevado à sexta potência, o que dá um milhão de amigos. Ou seja, teoricamente, a minha rede social é muito maior do que eu realmente conheço.

Porém, sabe-se que nem todas as pessoas cultivam o mesmo número de amigos ou conhecidos em sua rede social. Enquanto algumas têm muitos amigos e contatos, outras mantêm relacionamentos com um número reduzido de pessoas. Então nas nossas redes sociais haverá pessoas mais conectadas e pessoas menos conectadas.

Milgram descobriu ainda que de todas as correspondências que chegaram ao seu destino, a maioria foi intermediada por apenas 3 pessoas. A experiência não mostra que todo mundo está conectado a todo mundo através de seis graus de separação, mas que existem indivíduos mais conectados do que outros e que alguns indivíduos estão conectados a um número maior de indivíduos que a média.

Outra característica importante identificada na pesquisa Small World é a existência de clusters. Como nem todos nós temos exatamente o mesmo número de amigos e, como vimos, alguns têm mais contatos sociais que outros, observou-se que as pessoas mais conectadas possuem contatos que também estão conectados entre si, ou seja, nossos amigos têm amigos em comum conosco, gerando então os clusters.

Existe pessoas que têm papel fundamental na difusão de suas experiências com produtos ou serviços para amigos e parentes. Estas pessoas são conhecidas como pessoas influentes, influenciadores, conectores, ou como formadores/líderes de opinião.

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Para entrar de cabeça no assunto recomendo a bíblia Linked, de Albert-Laszlo Barabasi.

Será que todo este estudo finalmente foi superado? Tudo indica que sim, pois na recente pesquisa apresentada pelo Facebook, na verdade não estaríamos à seis graus de separação de outra pessoa, e sim à quatro graus (exatamente 4,74). Na prática seria algo como “um amigo de seu amigo conhece um amigo de seu outro amigo” - lembrando que o termo “amigo” é relativo, no caso vale como um “conhecido mais próximo”.

“É importante notar que, embora Milgram tenha sido influenciado pela mesma pergunta (quantos indivíduos separam duas pessoas), esses números não são diretamente comparáveis. Seus objetos de estudo tinham um conhecimento restrito da rede social, enquanto nós temos quase uma representação completa da coisa toda. Nossos cálculos essencialmente descrevem as rotas mais curtas possíveis que as pessoas estudadas por ele poderiam ter encontrado”, diz o Facebook.

Incrível pensar como estes novos dados certamente serão superados em breve, sem dúvida. Mas já parou pra pensar até que ponto as redes sociais nos aproximam de verdade, independente do grau?

  1. coffeebreakr posted this
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